quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

FISIOTERAPIA NO PÓS-OPERATÓRIO DE FRATURA DE PLATÔ TIBIAL: RELATO DE CASO

FISIOTERAPIA NO PÓS-OPERATÓRIO DE FRATURA DE PLATÔ TIBIAL

AUTORES: Camila Souza, Cyntya Karynna e Rosa Camila G. Paiva
CARUARU, SETEMBRO / 2012


INTRODUÇÃO


O joelho é uma articulação sinovial do tipo gínglimo, sendo formada por três ossos: fêmur, patela e tíbia. Na parte superior estão situados os côndilos femorais distais, anteriormente a patela e na região posterior estão os côndilos tibiais proximais. Sua função é resistir às cargas, promover estabilidade e proporcionar grande amplitude de movimento. É um das articulações mais suscetíveis a lesão, devido a sua estrura funcional e a atuação de forças externas.
Nos últimos anos, as fraturas de joelho, especialmente as de platô tibial, tem se tornado mais comuns, principalmente devido a acidentes automobilísticos (Schwartsmann, 2003). Outros fatores que também podem levar a este tipo de fratura são as quedas, atropelamentos, pessoas com osteoporose, dentre outros. As forças em valgo, varo ou forças compressivas, podem levar a uma fratura de platô tibial lateral, medial, ou bicondilar (Hall e Brody, 2001).

O tratamento da fratura de platô tibial pode ser cirúrgico, ou conservador, onde são utilizadas talas ou tração, e a eleição do melhor tipo de tratamento vai ocorrer de acordo com o tipo de fratura e da gravidade da lesão. Este tipo de fratura quando não tem uma intervenção rápida e eficaz, pode levar a pseudoartrose, daí a importância da fisioterapia no pós-cirúrgico imediato.

RELATO DE CASO

Paciente A.A.L, 41 anos de idade, sexo masculino, admitido no IMIP, vítima de um acidente motociclístico em março de 2012, referindo dores no joelho direito. Na história, relatou que, ao frear bruscamente, a moto caiu sobre a perna direita. O exames de imagem, RaioX (figura 1a) e Ressonância Magnética (figura 2), mostraram uma fratura de platô tibial, com cominuição de côndilo lateral da tíbia. Foi submetido a tratamento cirúrgico, onde foram colocados placa e parafuso (figura 1b), e utilizado enxerto ósseo para o côndilo, retirado da crista ilíaca.


Após 15 dias do tratamento cirúrgico o paciente foi admitido num serviço particular de home care. Na avaliação, o paciente relatou como queixa principal “dor em fisgada”.  Na inspeção foi encontrado: edema em joelho e tornozelo direito, limitação na flexão do joelho; cicatriz levemente aderida, porém com boa cicatrização; hipotrofia de quadríceps, bíceps femoral e gastrocnêmios; e hipotonia de quadríceps.


GONIOMETRIA
Flexão
22°
Extensão



TESTE DE FORÇA MUSCULAR
Flexores do joelho
Grau 2
Extensores do joelho
Grau 3
Flexores do quadril
Grau 3
Extensores do quadril
Grau 3
Abdutores
Grau 3
Adutores
Grau 3
Flexores plantar
Grau 4
Dorsiflexores
Grau 4


PERIMETRIA DA COXA (ponto de referência: borda superior da patela)

MID
MIE
0
47,5 cm
44 cm
7 cm acima
50 cm
47 cm
14 cm acima
53,5 cm
53 cm
21 cm acima
59 cm
57 cm


PERIMETRIA DA PERNA (ponto de referência: borda inferior da patela)

MID
MIE
0
45 cm
41 cm
7
44 cm
40,5 cm
14
45,5 cm
42 cm
21
44 cm
41cm



Após a avaliação, foram traçados os seguintes objetivos:

·         Diminuir edema;
·         Eliminar o quadro álgico;
·         Prevenir deformidades;
·         Devolver a artrocinemática do joelho;
·         Aumentar a amplitude de movimento;
·         Aumentar o tônus e trofismo muscular;
·         Melhorar a propriocepção;
·         Treinar o equilíbrio;
·         Reeducar a marcha.


Para alcançar tais objetivos, o tratamento foi dividido em três fases, onde os exercícios e o grau de dificuldade dos mesmos eram modificados de acordo com a evolução do paciente.





Na primeira fase, as sessões de fisioterapia foram realizadas cinco vezes por semana, durante os três primeiros meses. O tratamento foi iniciado utilizado U.S no joelho, e tornozelo direito (figura 3).  Crioterapia, elevação e compressão, por 20 minutos, na região edemaciada. Massagem pericicatricial. Alongamento da musculatura global de membros inferiores, que nesta fase eram realizados de forma passiva ou ativo-assistida. Mobilização intra-articular de joelho (figura 4), e mobilização patelar.

Também foram realizados nesta fase, exercícios para ganho de amplitude de movimento do joelho (figura 5).
Fortalecimento de quadríceps com FES (figura 6), e de abdutores, adutores e extensores do quadril. Exercício de ponte. Fortalecimento de inversores, eversores, dorsiflexores e plantiflexores com faixa elástica. Descarga de peso parcial na bola. Propriocepção com auxílio da bola.


Após 60 sessões de fisioterapia o paciente retornou ao médico, onde foi liberado para a descarga de peso. Daí deu-se início a segunda fase do tratamento, onde a fisioterapia era realizada duas vezes por semana, e hidroterapia duas vezes por semana, sendo realizado em outro serviço.

Nesta segunda fase, os alongamentos eram realizados de forma ativa, e os exercícios de fortalecimento foram intensificados (figuras 7, 8 e 9).

Na terceira fase, optou-se pelo “treinamento funcional”, onde foram acrescentados dissociação de cinturas, treino de equilíbrio. Treino de marcha e exercícios pliométricos








REAVALIAÇÃO

Ao reavaliar o paciente, foi observada uma grande melhora no quadro geral da paciente. Melhora do quadro álgico, eliminação do edema, melhora da força e ganho de amplitude de movimento, equilíbrio, como também reeducação da marcha.



GONIOMETRIA:
AVALIAÇÃO
REAVALIAÇÃO
(25/ 09/12)
Flexão
22°
128º
Extensão



TESTE DE FORÇA MUSCULAR:
AVALIAÇÃO
REAVALIAÇÃO
(25/09/12)
Flexores do joelho
Grau 2
Grau 5
Extensores do joelho
Grau 3
Grau 5
Flexores do quadril
Grau 3
Grau 5
Extensores do quadril
Grau 3
Grau 5
Abdutores
Grau 3
Grau 5
Adutores
Grau 3
Grau 5
Flexores plantar
Grau 4
Grau 5
Dorsiflexores
Grau 4



PERIMETRIA DA COXA (ponto de referência: borda superior da patela):
AVALIAÇÃO
REAVALIAÇÃO
(25/09/12)
MID
MIE
MID
MIE
0
        47,5 cm
 44 cm
45 cm
44 cm
7
50 cm
47 cm
48 cm
47,5 cm
14
53,5 cm
53 cm
51 cm
53 cm
21
59 cm
57 cm
59 cm
57,5 cm


PERIMETRIA DA PERNA (ponto de referência: borda inferior da patela):
AVALIAÇÃO
REAVALIAÇÃO
(25/09/12)
MID
MIE
MID
MIE
0
45 cm
41 cm
41,5 cm
41 cm
7
 44 cm
40,5 cm
41 cm
40 cm
14
45,5 cm
42 cm
42,5 cm
42 cm
21
44 cm
41 cm
41,5 cm
41 cm




CONCLUSÃO

Após aproximadamente 80 sessões de fisioterapia, foi verificado que houve redução do edema e eliminação da dor, consolidação da fratura sem deformidades, aumento da amplitude de movimento e aumento de força. O paciente também conseguiu reeducar a marcha e alcançar um melhor  equilíbrio e coordenação, sem alterações. Portanto, conclui-se que houve grande sucesso com o tratamento proposto, pois todos os objetivos foram alcançados. Através da fisioterapia, o paciente teve um ótimo prognóstico, podendo assim, retornar as suas atividades de vida diária, como também houve uma melhora em sua qualidade de vida.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

EVANGELISTA, A. L; MACEDO, J. Treinamento funcional e core training: Exercícios práticos aplicados. São Paulo: Ed. Phorte, 2011.

HALL, C.M; BRODY, L.T. Exercícios Terapêuticos: Na busca da função. 3  edição.São Paulo, 2001.
 
HAMILL, Joseph, KNUTEN, Kathleen M. Bases Biomecânicas do Movimento Humano . São Paulo: Ed. Manole, 1999

PLAPLER, Pérola G. protocolo de reabilitação do joelho: artigo de revisão e atualização. ACTA ORTOP BRAS 3(4) OUT/DEZ, 1995.

 SCHWARTSMANN,  C.et  al.  Fraturas:  Princípios  e  Pratica.  1  edição. São Paulo, 2003.

REED, A.;HAW.J.Eletroterapia Aplicada; Princípios e Prática. 3  edição.São Paulo, 2002.




12 comentários:

  1. me ajude tb estou com um mes que coloquei pinos e platina na perna mas estou fazendo exercicios em casa ate o presente momento e a minha perna doi muito ao tentar dobrar quebrei o pato tibial sao 10 pinos e 2 platina na perna esquerda e agora eu acho que os meus nervos endureceram pq doi muito ao tentar dobrar a perna meu email e adriana3380@hotmail.com me ajude se puder desde ja agradeço m

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  2. Boa noite .. Esse paciente retirou a placade fixação ,ou continua com ela !?

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Jana, Esse foi um caso acompanhado por alunos, portanto não sei o desfecho... mas normalmente não é retirada.. :)
    Drika, você está fazendo fisioterapia? tem que fazer...

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    1. Pergunto porque sofri um fratura de plato tibial também e entre todos o casos que eu vi pela internet esse foi o que vi um bom prognóstico,estou muito assustado e com medo de não voltar a minha vida normal,corria com frquencia ,e fazia atividades fisicas essa fratura m assustou muito em relação a isso pq encontrei poucos casos com prognósticos bons,ha relatos de enrijecimento da articulação e limitação de movimentos ..espero que não aconteça comigo,e quanto a placa perguntei ao meu ortopedista e ele me falou que pode tirar mas em torno de um ano ou mais ...

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  5. Eu fui atropelad e tive uma fratura em plato tibial tem 16 dias operei e estou com muito medo de não voltar a ser como eu era antes,pois corria e malhava,dobrava minha perna normal.hje dobro com dificuldades e vou começar a fazer fisioterapia daqui a alguns dias ...tenho uma placa e parafuso tb,sou técnica em enfermagem e trabalho diretamente com pacientes ,tenho medo tb de minha de minha atividade estar comprometida..tudo parece tao incerto

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  6. Olá!!! Fraturei o platô tibial há 7 meses.Fui submetida a 1º cirurgia depois dois meses a cirurgia não fechava e ficava drenando muito, aí fui submetida à 2º cirurgia, passaram-se mais dois meses e nada da cirurgia fechar.Pra piorar um dos fios rompeu e eu sentia muita dor foi retirado tambem.A cirurgia fechouJá faz quase 8 meses e sinto muita dor e não consigo andar faço fisioterapia desde o inicio.Sinto muita dor na patela e atras da perna tipo os nervos chega ficar bloqueada.E minha perna está torta.Gostaria de saber se com o passar do tempo elas concertam.Obrigada.

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    1. Não vi o caso... Mas se a consolidação foi viciosa (por isso está com desvio) não vai alinhar sem outro procedimento cirúrgico. Mas como você teve infecção, pode não ser indicado o realinhamento..

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  7. BOM DIA DRa. SOU ESTUDANTE DO SÉTIMO PERÍODO DE FISIOTERAPIA, ESTOU CM UMA DUVIDA,MEU TIO SOFREU UMA FRATURA NO PLATOR TIBIAL E NÃO FOI NECESSÁRIO TRATAMENTO CRUENTO POIS NÃO ACONTECEU DESVIO E NÃO AFETOU NENHUM LIGAMENTO. FICOU 35 DIAS COM APARELHO GESSADO E TIROU A 8 DIAS ATRÁS.FOI ENCAMINHADO PARA FISIOTERAPIA E ESTA COM SUA ARTROCINEMÁTICA DENTRO DO PADRÃO DA NORMALIDADE,UM EDEMA RESIDUAL NO LOCAL,AUSÊNCIA DE ALGIA,PEQUENA HIPOTROFIA NO QUADRÍCEPS. ELE ESTÁ COMPLETANDO 43 DA FRATURA,O QUE ESTOU ACHANDO ESTRANHO FOI O ORTOPEDISTA TER LIBERADO PARA CARGA E TER INDICADO QUE ELE ANDASSE NA AREIA DA PRAIA,JÁ QUE, A LITERATURA ACONSELHA SOMENTE SER POSTO CARGA PÓS 2 A 3 MESES DA RETIRADA DO GESSO. ESTOU PREOCUPADO COM RAZÃO OU ESTÁ DENTRO DA NORMALIDADE? OBRIGADO!

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    1. A literatura recomenda, mesmo com consolidação mais precoce, que o apoio total seja entre 70 e 90 dias, mas pode-se iniciar apoio parcial (até 20% do peso corporal) antes disso para estimular a qualidade do calo. Caso não seja esse o caso, pode ser mais precoce em fraturas sem desvio ou ocultas. Em fraturas com desvio ou afundamentos de plato p apoio antes pode, tardiamente desencadear consolidação em valgo.

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  8. BOM DIA DRa. SOU ESTUDANTE DO SÉTIMO PERÍODO DE FISIOTERAPIA, ESTOU CM UMA DUVIDA,MEU TIO SOFREU UMA FRATURA NO PLATOR TIBIAL E NÃO FOI NECESSÁRIO TRATAMENTO CRUENTO POIS NÃO ACONTECEU DESVIO E NÃO AFETOU NENHUM LIGAMENTO. FICOU 35 DIAS COM APARELHO GESSADO E TIROU A 8 DIAS ATRÁS.FOI ENCAMINHADO PARA FISIOTERAPIA E ESTA COM SUA ARTROCINEMÁTICA DENTRO DO PADRÃO DA NORMALIDADE,UM EDEMA RESIDUAL NO LOCAL,AUSÊNCIA DE ALGIA,PEQUENA HIPOTROFIA NO QUADRÍCEPS. ELE ESTÁ COMPLETANDO 43 DA FRATURA,O QUE ESTOU ACHANDO ESTRANHO FOI O ORTOPEDISTA TER LIBERADO PARA CARGA E TER INDICADO QUE ELE ANDASSE NA AREIA DA PRAIA,JÁ QUE, A LITERATURA ACONSELHA SOMENTE SER POSTO CARGA PÓS 2 A 3 MESES DA RETIRADA DO GESSO. ESTOU PREOCUPADO COM RAZÃO OU ESTÁ DENTRO DA NORMALIDADE? OBRIGADO!

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